domingo, julho 27

Querido,

há coisas que eu escreveria para desfiar o colar de pérolas da sua ausência. os atores se  misturaram e só tive ruína e lama: adormeço insônias e imaginações do que apenas meu outro eu pôde possuir. imagino imagino imagino. lembro os ruídos e as palavras e a respiração noturna, a ponta dos dedos e a miragem. perdôo o que não tive chance de errar. quero tirar de mim o verbo como destino, esvaziar a falta de ar e as longas horas, errar moinhos de miragem no caminho. uma semana de lembranças do que nunca aconteceu, pelo que aspiro? reconheço a estadia, mesmo que completamente nova, e recomendo-me angústia. chorar pelo deslumbramento é um pecado permitido para essa vilania? quero tirar de mim, quero que saia o verbo e sua sina amaldiçoada antes que a noite venha novamente, com todas as suas luzes e respingos e pó. preciso que a hemorragia vença tanto quanto não lembrava possível de se precisar, e que afronta! a rigor, quis sonhar possível. a beleza me cumprimenta sorrindo, minha velha inimiga. por uma noite a mais, o sonho será o mesmo...

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segunda-feira, março 21

Desaparecer


"Desaparecer" - verbo emocionalmente imperativo


1. Sair da vista do mundo exterior

2. Ocultar-se

3. Fugir, abalar

4. Sumir-se

5. Apagar-se, ofuscar-se

6. Morrer

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sábado, setembro 11

isolar-te-me

 

Impedir que a realidade acesse meu mundo interior é meu conceito estético favorito.

Não quero lidar.
Não quero ouvir.
Não quero olhar.


Suaves negativas aos toques do que me é inacessível. Minimalista.

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segunda-feira, agosto 23

A cura


Sempre respirei desejos de distância, paixões do longínquo, delírios de afastamento. Natureza de quem torna a pedra um verbo, irritação com o que me externa e se confunde com lugar nenhum. Se não há nada aqui, por que o espaço não me parece suficiente? Longe é o meu lugar, distante é minha nação, em fuga é meu país. Uma vida felina a menos e aos planos de ausência retornamos, com a insônia perene tendo sugado a constância líquida dos meus sentidos.

Por teimosia e costume, olho devagar. A íris tem insistido em segurar qualquer fração da palavra em que montei estadia, adormecendo em trilhas que reverberam de campos tão afastados quanto a realidade e um sonho. Há algo no seu nome celeste que não posso prorrogar: aguardo seus sinais com a ponta dos dedos, advindos de nuvens em formato de adjetivo. Poesia compilada em silêncios e pequenas imagens.

Tenho algo guardado para você, que não valeria nem mesmo a minha visão nua na terra devastada que chamo de memória. Quão pouco seria o que posso doar sem ofensas ou desculpas, além promessas e abraços? Há algum tempo sinto a falha rude em verbalizar o que talvez tu não queiras ouvir: se do alto é mesmo tão mais bonito, quão distante devo estar do chão para caminharmos lado-a-lado? Pouco existe de expectativa na intuição de quem revela mais do que a luz divina aconselha reprimir, pois temos aqui um curioso impasse entre vontades de constância e temperamentos que propagam mais desvios que retas. Voilà, querido! Sorrio em silêncio. Espero que descubra, que escute no vento o que deixei invisível. Que fale, no meu lado ou onde estiver, pra que eu possa agradecer pela cura de guiar meus olhos tão longe quanto o amanhã.
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quarta-feira, junho 9


I fell in love with you

But I know that's just a sky

I don't know where I go

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The Chaos Premier

Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

Passado