Sempre respirei desejos de distância, paixões do longínquo, delírios de afastamento. Natureza de quem torna a pedra um verbo, irritação com o que me externa e se confunde com lugar nenhum. Se não há nada aqui, por que o espaço não me parece suficiente? Longe é o meu lugar, distante é minha nação, em fuga é meu país. Uma vida felina a menos e aos planos de ausência retornamos, com a insônia perene tendo sugado a constância líquida dos meus sentidos.
Por teimosia e costume, olho devagar. A íris tem insistido em segurar qualquer fração da palavra em que montei estadia, adormecendo em trilhas que reverberam de campos tão afastados quanto a realidade e um sonho. Há algo no seu nome celeste que não posso prorrogar: aguardo seus sinais com a ponta dos dedos, advindos de nuvens em formato de adjetivo. Poesia compilada em silêncios e pequenas imagens.
Tenho algo guardado para você, que não valeria nem mesmo a minha visão nua na terra devastada que chamo de memória. Quão pouco seria o que posso doar sem ofensas ou desculpas, além promessas e abraços? Há algum tempo sinto a falha rude em verbalizar o que talvez tu não queiras ouvir: se do alto é mesmo tão mais bonito, quão distante devo estar do chão para caminharmos lado-a-lado? Pouco existe de expectativa na intuição de quem revela mais do que a luz divina aconselha reprimir, pois temos aqui um curioso impasse entre vontades de constância e temperamentos que propagam mais desvios que retas. Voilà, querido! Sorrio em silêncio. Espero que descubra, que escute no vento o que deixei invisível. Que fale, no meu lado ou onde estiver, pra que eu possa agradecer pela cura de guiar meus olhos tão longe quanto o amanhã.

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