
Quando se está louco, a necessidade mais primária é a expressão, é do que se alimenta o doente, do que bebe, é o que respira. Sei porque lá estive e, não tendo para onde voltar, corri para o lado dos livros.
A incompreensão dos pedidos de quem adoece pesa; esmagadora paixão não-correspondida é a relação paciente-cura. Dói, não sabe onde. Que pedir socorro, não sabe a quem. Jaulas sem intérprete para o definhar dos animais. Estou ficando velha e triste: enfeito as palavras sem que elas tenho sentido completo para eu passá-las em herança, num desespero. Só ouço meu coração: um olho aberto para o externo, outro fechado.
No desespero maior, escrevo e desenho meus sentidos. Folhas riscadas, rabiscadas mesmo, no meu caderno... Afirmo em seu conteúdo mais que Da Vinci sonhou para olhos de sua Madonna, que Da Vinci não tinha olhos como os meus [nem eu como os deles, você me dirá - sem saber que os meus são muito mais brilhantes].
A instituição psiquiátrica teria sido o fim dos meus delírios. Eu grito da incompreensão em meio aos incompreendidos?! O ódio não é pela falta de ouvidos, é pela incapacidade de falar, que eu sou egoísta demais para entregar a outro organismo minha culpa por aprender a língua errada, eu que não sei o que é cacofonia. Corro numa bicicleta parada e todos os dias já ficaram iguais: ponto para quem nasce.
Um dia, fiquei velha.
A incompreensão dos pedidos de quem adoece pesa; esmagadora paixão não-correspondida é a relação paciente-cura. Dói, não sabe onde. Que pedir socorro, não sabe a quem. Jaulas sem intérprete para o definhar dos animais. Estou ficando velha e triste: enfeito as palavras sem que elas tenho sentido completo para eu passá-las em herança, num desespero. Só ouço meu coração: um olho aberto para o externo, outro fechado.
No desespero maior, escrevo e desenho meus sentidos. Folhas riscadas, rabiscadas mesmo, no meu caderno... Afirmo em seu conteúdo mais que Da Vinci sonhou para olhos de sua Madonna, que Da Vinci não tinha olhos como os meus [nem eu como os deles, você me dirá - sem saber que os meus são muito mais brilhantes].
A instituição psiquiátrica teria sido o fim dos meus delírios. Eu grito da incompreensão em meio aos incompreendidos?! O ódio não é pela falta de ouvidos, é pela incapacidade de falar, que eu sou egoísta demais para entregar a outro organismo minha culpa por aprender a língua errada, eu que não sei o que é cacofonia. Corro numa bicicleta parada e todos os dias já ficaram iguais: ponto para quem nasce.
Um dia, fiquei velha.
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