Pude escrever os versos mais tristes durante infinitas noites. Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite girava no céu e cantava.
O vento da noite girava no céu e cantava.
Poderia ainda escrever os versos mais tristes esta manhã: eu amei-o e por vezes ele também me amou. Em noites como aquelas, tive-o em meus braços, beijei-a tantas vezes sob o céu também infinito. Ele amou-me, por vezes eu também o amava. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos?! Poderia escrever os versos mais tristes esta manhã: pensar que não o tenho e sentir que ele já se perdeu em mim.
Ouvi tantas vezes a noite imensa, que ainda continua mais imensa sem ele. Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la?! A noite esteve estrelada e ele não estava comigo... Isso é tudo.
Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contentou com havê-lo perdido. Como, para chegá-lo a mim, o meu olhar procurava-o... o meu coração procurava-o e ele nunca estava comigo. Agora, a mesma noite faz branquejar as mesmas árvores: nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não o amo: é verdade. Mas, tanto que o amei: esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outros. Será de outros. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos...
De outros. Será de outros. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos...
Já não o amo: é verdade!
Mas talvez o ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento: porque em noites como aquelas tive-o em meus braços, a minha alma não se contentava por havê-lo perdido. Que seja a última dor que ele me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe (re)escrevo.
0 comentários:
Postar um comentário