quinta-feira, outubro 28

lembranças espatifadas pelo quarto



E era-lhe tão gostoso doer que arrepios vinham com o mero reconhecimento de uma certa capacidade de sofrimento, variável mas inerente a todos humanos demasiados como ela. Gostava de desejar demais por que o retorno impossível era certo como trilhos dessossados em mostras pseudo suicídas desenhadas nas carteiras sujas da escola. Matar-se um pouquinho era um sorriso diário - escondido, para não desabonar seu caráter frente à sua auto-suposição de personalidade.

Queria que todos os lugares fossem escolas e não houvesse sol: quão mais necessário, mais necessária era a negação. A medida da necessidade é a impossibilidade: como ciúmes e amores  que configuram-se de desejos de ser, pelo não desejar que há em desmaios voluntários da feia necessidade de existir como se é [e não esqueça que ela ainda existe nesse narrar vazio de fatos irreais, cujas coincidências são mero apelo romanceado de desastres naturais discretos].

[pausa reticente para passagem de tempo]

Então, com 99 anos, um belo número de sorte, morreu - não morreu. Fechou os olhos e, ao reabrí-los, ainda em êxtase, acordou barata. Encontre-a de salto 15 na esquina mais próxima e mande um alô daqueles.


Fim.
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The Chaos Premier

Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

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