quinta-feira, junho 16

cecília

brumas pairam na minha mente. 
silêncio. silêncio. silêncio.
as mesmas mentiras, as mesmas lascas. a solidão eterna, como a pluma flutuante, incomunicável.

após uma única lágrima invisível, eu permaneço no lugar exato - e você nem sabe. 

o cantarolar das músicas antigas de quando eu sentia tanto medo - tanto medo, quando todas as gotas do sangue que troquei por licor de pêssego tornaram a grama em que nasci fofa tal qual um arco íris de quatro tonalidades. qual destas você escolheria, se não há a cor dos meus olhos em nenhuma delas?! todas as minhas nuances deveriam ter sido escritas por você...

meus olhos permaneceram abertos após minha vivissecação. aquele era não o meu, mas o nosso vestido de noiva, largado para trás, visto em árvores e janelas até depois da palavra secreta ser dita - inutilmente - em direção às minhas cascatas contínuas.

eu já não sei chorar ou mesmo dizer um ai: já agradeço tanto por meia dose daqueles cigarros marcados com o giz dos seus lábios! a proibição, os besouros, as árvores: una estes elementos e ter-me-á sua, sua inocente e santíssima, p'ra tu carregar nas mãos: ainda mais e, como sempre, sua.
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Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

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