A agressividade, o fascínio, o negativismo, em nada pude lhe perdoar: (in)adorada Beleza de feiura interior intransitiva, condene-se à solidão dos meus delírios mudos e infantis.
Eu não perdoaria. Eu não dividiria contigo o que não me pertence, muito embora e muito provavelmente você também não queira e eu tanto me ressinta por você não desejar e não querer o que seu seria caso você o quisesse mas, NÃO! Eu não dividiria - e me sentiria mal. Se quisesse, se você quisesse teria tudo o que eu desejei na insônia de um céu carnívoro que criou posses de vida por este corpo, correndo solto-e-inteiro-e-todo em torrentes de mágoas lacrimosas que encheram meu chão e minhas ruas com paixões sujas que o tempo não pôde limpar. Paraliso no pó do ranger-de-dentes feitos dos pensamentos ao redor de você e de tudo que eu desejava e não pude ter porque tinha que ser seu ao invés de estar nas minhas mãos desnudas e descascadas. Por que mais uma vez é ganha a luta pelo desprezo da Beleza, que corrói até os pedestais em que coloca a si mesma? Pelas coisas mais leves e mais pesadas, para todos os olhos você brilha como a preciosidade que só um coração duro, negro e seco como o seu parece ter, então por quê?
Eu não dividiria contigo, e lamentaria, e teria raiva da Beleza e a amaldiçoaria como hoje faço, e como já tantas vezes fiz quando me veio a febre de imaginar que talvez-porventura-em-algum-momento realize-se novamente a Maldição de quem teve a Beleza como deusa e primavera, e por ela tudo que amou teve tomado, pois todos que te viram me disseram "tão linda é!" - mas a mim já não engana. Não serve à Beleza o meu desejo ferido, o meu desejo magoado, o meu desejo cheio de desgosto e lamento, ele já não serve, e distância! Distância dos meus amores, dos meus desejos, distância!

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