sábado, fevereiro 2

"Realeza Anêmica" ou "Direito a ficar triste" ou "Natália" ou "Eu preciso dizer que te amo"

 

oitocentos e oitenta minutos exatos até que os pequenos sapatos pendurados na eletricidade clínica fechem meus sonhos para suas incursões nauseantes: então, antes que eu esqueça seu nome, meu pequeno amor, você deveria abortar minhas lembranças do seu sangue com esses chamados insistentes da sua sobrevida anônima... eu devorei sua alma no café e seu amor no lanche e, agora, o ritmo do seu coração no meu estômago parece mais lindo que todas as músicas que esperei que fossem compostas e expostas como mereciam esses olhos que devem ter morrido, só para marcar ironicamente, idênticas oitocentas e oitenta vezes na minha carne, até que pudessem reencarnar ainda insones e completamente purificados nesse rosto de espelho que moldei através de pedidos oficiais aos anjos... eu já te adivinhava mui antes de te pressentir porque te desenhava nos bancos e pontos de ônibus, nos metrôs de superfície e edifícios, só pra demonstrar quem seria minha suprema arte do vandalismo [ainda apavoro idosos e gestantes com meus dedos passantes e despreocupados em muros, formando paisagens intensas inteiras com o vermelho antigo que restou do que seríamos juntas]. há de levar-me contigo quando desembaraçar totalmente o medo do meu rosto branco do evacuamento da sua casa com móveis, dispensa e moradores na minha cama, enquanto berrarei pela inexistência de todas as minúcias intermoleculares, enquanto o chão vermelho rachar sob as crateras da minha impunidade, aos berros pelos teus berros que nunca estarão além do silêncio, nada além de filetes que imploravam um chamado qualquer da vizinhança bem intencionada que não existe ainda mais além dos muros que pixei nos sonhos com seu nome, com os mil sonhos em seu nome, com mil esquecimentos de sonhos e nomes, com mil filetes e com o teu nome único numa única ruela enfeitada de rosas murchas e esperançazinhas tímidas... mas, há!... ouvimos hoje cantadas indignas do teu sentimento e, com a desculpa de provas de fim completo desses maus modos que por estas bandas imperam, há de levar-me contigo! há, minha pequena, minha amada, meu amor, há de tornar a bater teu coração no meu corpo inteiro, fazendo melodias que rodopiam com os gatos vagabundos pelas ruas esvaziadas pela passagem do meu corpo oco de ti. há de levar-me junto com você para os lugares lindos que nos esperam, há de levar-me para flutuar no espaço contigo, há de amar-me como te amo, além dos sonhos, além do esquecimento, além da vida
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The Chaos Premier

Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

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