Ás vezes, eu preciso encontrar um lugar para chamar de casa antes de poder encontrar uma própria. Nessa aqui, mexo e remexo nos livros milirelidos de sebos de lugares diversos, penso que tenho de escrever mais poesia, ler menos biografias e mais textos sobre engenharia computacional, não consigo dormir quando a louça está se reunindo para uma fantástica viagem à galáxia mais próxima na pia da cozinha, gosto de por flores sobre a toalha suja da mesa e frutas na cesta de pães.
Gosto do canto esquerdo inferior da cama, lotado de farelos de granola e com visão privilegiada para minha sacolinha de roupa suja - a ser lavada a mão, sempre a mão, sempre na manhã dominical, religiosamente, quando posso tomar banho mais tarde e sem tanto medo da água fria do chuveiro queimado. Medo restante da manhãs de segunda-terça-quarta-quinta-sexta-feira, quando está tão escuro no momento em que levanto para tomar banho gelado, ter uma crise de rinite/sinusite e ir trabalhar. Por que aqui não entram correntes-de-ar?
Sempre achei engraçado fumar em frente à piscina, olhando a paisagem falsa com montanhas e cascatas. Qual a diferença de uma cachoeira e uma cascata? Há uma cascata aqui, que é de verdade mais com sua presença só faz criar a falta falta, eu nunca a vi funcionar. Tenho um medo constante de que meu ratinhos (sic) fuja e se afogue na piscina. Preciso desesperadamente de óculos escuros.
Hoje eu tenho minutos uns depois os outros, andando no ônibus, sentada no banco, esperando na fila, caminhando na noite iniciada, para nosso portão escandaloso... Receber um abraço ou um pouco de violão na entrada, onde reclamo de dor nas costas e sono, "é tanta medicação!". Sempre haverão outros planos - meu único plano é este aqui: meu lugar para voltar, sempre do teu lado.
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