Ás vezes, durante a noite, fujo da cama e saio para minha neve, pra ficar olhando os flocos caindo no seu rosto. Passo os dedos de leve, deixo minha cicatriz viva no seu sorriso gelado. Já passaram 6 vidas?! Essa deveria ser a última antes de eu acordar completamente fechada. A partir daí, creio que todo o gelo se dissipará: os anos passarão, as minhas flores mortas vão apodrecer esperando meu retorno, não haverá mais casa, ou sorriso ou imagem congelada instanânea para eu amar psicoticamente como um coelho esmagado pelo próprio coração e pêlos e pequenos - não contrarie - pequenos dentes. Pequenos o suficiente para entrar de leve na minha carne, pois é tão seu o crescente buraco; um seu gigantesco lasco de pele descerá com as veias caindo, logo após os membros desfeitos esfarelarem por obra dos pequenos dentes que para mim estavam congelados.
Eu só via o seu sorriso gelado e fixo durante minha deterioração - e amava aqueles olhos porque estavam voltados apenas para mim, como os meus para ele. Amava até eu decompor de todo.

Você escreveu lindamente.
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