segunda-feira, janeiro 18

mal de cœur



“Eu vou te machucar por isso.
Vai chegar um dia em que você vai achar que está segura e feliz, e sua alegria irá se transformar em cinzas na sua boca.
E você saberá que a dívida está paga."


Prender-se a uma parede, ombro-a-ombro em imobilidade com alguém especial demais para que seus movimentos se tornassem possíveis, é uma experiência que só poderia ser comparável ao abraço de uns olhos de cegueira brilhante ou a uma procissão de emaranhados pedintes nas estradas intermináveis.

As orações não ajudaram a repulsa a ceder: prostra-se o rosto ao chão, às faíscas, ao fundo das pedras, aos vermes benditos em hóstia, derramando a dor renovada em velhos delírios rotos na carapaça imunda e desquerida, tal qual deliciou-se aquela verbena solar luzindo em retorno um incompreensível riso bruxuleante, zombeteiro.


Rastros pegajosos pelos cantos da casa imensa.
Nada de gritos.



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Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

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