quarta-feira, janeiro 18

Dor líquida


A velha pancada familiar e desce a película em prol da liquidez dos fatos.
Dor líquida. 

A verdade lamenta em não poder consentir espaço a uns lábios feridos por bem. O peso nos olhos desmente o corpo-alma desta criatura de perdões pervertidos, enquanto o bom grado tropeça na lama expandida em sua direção e favorece o impacto ao meu coração de courino purificado, anelado de vinil. Por que? A lentidão da descida e do afogamento permeia tantas cores quanto a tristeza pode segurar numa cifra muda. Não há murmúrio que não receba a ciclagem entre silêncio e ansiedade, não há espaço impreenchível o bastante para replicar a renovação do afastamento, não. Desfaz-se o pensamento em ondas estaladas, que jamais permitirão a solidão de todo. 

Não reclamo: carece ainda a vida de sinônimos tão vívidos quanto os estados flutuantes na contemplação da mágoa, perdoando cada queridíssima ferida com anestesias fluidas. Que nomeação híbrida teria eu denotando entendimento diferente? Calo as condenáveis fissuras dos desejos lamentados, permaneço na abertura de lábios suave como um afogamento em vidro-de-mar. 
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Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

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