A culpa é minha ou não, sem interrogações permitidas ao fim da dúvida?
Meu bem,
Por esta carta que nunca há de te chegar, esvazia-se através dos dedos tudo que desisti de tornar pronúncia. O silêncio é uma forma de pertencimento que agrilhoa seu fiapo de memória ao meu estômago anoitecido: há vitrines complexas de lembranças do que jamais aconteceu brotando das cinzas mais mínimas do que você reprimiu. Sem surpresas sob meus pés, negações e rejeição crescem como palácios de conforto ao redor do que só ascende ao mundo através de pretéritos feitos em ponta de faca ou vidro. Sua mudez é como um bilhete de lembrete aos lamentos que enxergo como métrica de diálogo, com quarteirões e cidades de dor estampadas ao redor de um pedestal inteiramente dedicado ao seu nome.
Abrace um joelho para não gritar agora: há menos de 7 palmos de conforto acima do rosto e ainda não é hora, ou momento, ou chance. O arrepio dissociativo na lateral esquerda do rosto me relembra o extenso túnel de diligências até transmitir o esmigalhamento psicológico que refugio sob um espelho d'água de esforços. Meu tom ofelíaco é vocacional! Ainda assim, tento retirar a unha da ferida para ativar o milagre antes que você enxergue minha ponte entre um delírio e um sonho.
Quero que essa noite termine, quero que a lembrança se afaste por tempo o bastante pra secar o rosto e lamber o pus. Se a cura não penetra as rochas até o inferno, porque meus olhos escolheram se abrir pra visões brilhantes como a sua esperando não se queimar? Sinônimos de culpa tem perdoado mais pecados que sua desciência sufocante, mas ah! Perdão, e durma bem. A ligação entre um orvalho petrificado e uma janela pra qual se corre desesperadamente num impulso ainda será secreta, por muito e muito tempo...

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