domingo, março 28

Afogar-(te/se)

 


Querido palácio da memória, ajoelho e estendo olhos-lábio-cordas para algo mais próximo às superfícies do mundo tátil. 
 Recordo de quantas tentativas perdidas de compreensão derramei nos altares que ergui, sendo este apenas mais um. O riso engolido, o riso amargo. As cartas ao que me veio por bem ainda fluam como um véu sobre meus carismas invertidos, sugando minuciosamente o que desejo pelo filtro inquietante das memórias criadas pela limpidez de minhas dissociações. O riso amargo e o auto-escárnio ainda são tão severos quanto sempre foram.

Se pudesse, arrancaria cada pequena pérola com que despreocupado você me presenteia. Se eu pudesse, e pudesse ouvir o estalo e o baque das rupturas circulares antes de baixar os cílios frente a milagres como tu, se eu pudesse! Eu faria. Seu escape leva algo mais do que posso suportar num mundo decente. Afundo de maneira escalar enquanto fixo meu culto no holograma sorridente a um cristal de distância: ah, a sensação de estar em casa, de reviver rejeições tão fortes e próximas como um berço no fundo no mar.

A resposta ainda é não.

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Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

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