quarta-feira, janeiro 2

eu não sou vertical


síncopes nervosas de pequenos desesperos adiposos... duplo reverso de um desespero desencontrado com o vazio mórfico da minha carne dolorosa... as palavras eólicas tem um peso de pétalas num vaso disforme, enquanto eu ansiava ter sido parte de todos os anjos e santos de deus, daqueles para os quais os fios seriam destinados em adoração remota e não seria necessário percorrer satélites em busca de companhia. o quê?! no momento em que mais preciso desligar a minha cabeça eu sei que as minhas unhas não alcançarão os ossos que nem mais pressinto sob as lágrimas que não derramo: é com um meio termo entre a balsa e o carcomido dos peixes, mas mesmo assim respiras... qual a utilidade real?.. deus, quão mais tempo passa, menos as coisas valem a pena; vendo minha idade galopando de modo inversamente proporcional à minha felicidade, resta-me o fino zumbido de um solitário resto da lavagem que chamei de "mental" um dia, soando como uma bomba relógio que berra na madrugada para me acordar, faminta de mim... não há uma canção doce o suficiente para exprimir minha fúria e desespero?! nem o som lindo lindo do meu corpo "mais pesado que o céu" caindo contra a grama verde-tão-logo-rubro do quintal vizinho, através das janelas deliciosamente envidraçadas e hermeticamente fechadas, nem isso seria o bastante?! regogizo-me, então, no pesar? consolos para almas pequenas são caixas para guardar os pedaços da própria rouquidão. sinto um nojo irreparável de mim, desejo de gritar, incapacidade de chorar, desespero, desespero, conte, d-e-s-e-s-p-e-r-o com nove letras inúteis como pedras que não esmagam meus miolos de cocô de passarinho, cheio de tudo aquilo que, deus! eu não posso ver, por baixo de toda essa pele. o que ocorreu-me até aqui?! já não posso ficar tranquila e apenas choro, para desviar minha cabeça de mim. eu teria dado um pedaço do meu reino para ouvir o assobio que só sairia de seus lábios para os tímpanos meus, como um chamado canino de fidelidade especial... mas ainda apavora-me os campos imensos e abertos do além-muralhas, montanhas penteadas pelo céu riscado de nuvens, pontuadas de olhos acusadores que, zombeteiros, espelham minha oração: nojenta! nojenta perjura, cadela de satã! há de beber ácido cítrico das frutas do éden original, além dos subsequentes e recentes enganos a que se entregas - você é a semente dos destemperos dos ventos e o fracasso do humano nos seus anseios mais básicos! eu jogo insanamente e você oferece-me um copo de leite com calma e açúcar - arrepios! nem mesmo isso fora-me poupado, vindo das batatas das pernas que batem sem poder correr até meus ombros cobertos pelos mantos de mosquitos que me fazem rainha... tenho o sangue drenado como no martírio?! eu preciso ligar, preciso comunicar-me com todos aqueles que amo, pois estou à morte e necessito que todos prestigitem meu momento final e cá estejam para me consolar, pois choro baixo e tenho medo, medo como no dilúvio, medo de afogar-me em minha prole de correntezas, nuvens abaixo, em sinal do Eterno...
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The Chaos Premier

Helena Moloco

Pequena pecadora, parcialmente pervertida pela pobreza para Pensar.

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